Depressão pós-parto

Minha gravidez foi super planejada. Depois de cinco anos de um casamento feliz e abençoado, de já ter terminado minha faculdade, eu e meu esposo decidimos que era hora de engravidarmos. Fiz exames antes da concepção pra verificar minha saúde, cuidei da alimentação, fiz um excelente pré-natal, curti a barriga, preparei o quarto…cuidei de cada detalhe com muito amor e carinho! Estava muito grata a Deus por está dádiva maravilhosa e pelo milagre que crescia dentro de mim. Mas, quando a Laura nasceu fui invadida por uma série de pensamentos e sentimentos que não faziam o menor sentido!

Eu vi o meu bebê ali, pequeno, indefeso e era minha responsabilidade! Comecei a pensar: “Não posso cuidar dela!” “É muita responsabilidade!”. Só que tentei me conter. Imaginei que era normal e que passaria logo. Enquanto minha mãe ficou comigo tudo bem. Afinal, tinha alguém me ajudando a cuidar dela. Porém, no dia que minha mãe teve quer ir embora eu desabei. Quando me despedi dela e fechei a porta chorei muito. Lembro do meu pavor como se fosse hoje. A Laura dormindo no meu colo, eu abraçando ela e chorando e chorando.

Minha mãe havia dito pra eu ir passar uns dias a mais na casa dela pra não ficar só (ela tinha que voltar porque tenho um irmão de 10 anos que estuda), mas eu pensei: “Não! Tenho que ser forte! Eu quis muito a minha filha, vou dar conta!”. Que bobagem! Eu devia ter ido!

Com o passar dos dias as coisas só pioravam. O medo de não cuidar dela direito só aumentava; o peso da responsabilidade ainda mais; eu estava cada vez mais cansada, pois não conseguia dormir; estava me sentindo muito triste. Sentia falta da minha vida. Eu queria minha liberdade de volta! Queria meu trabalho, queria sair pra onde eu quisesse e a hora que eu quisesse, queria tomar banho e comer com calma, queria cuidar da minha casa, das minhas coisas como sempre fiz! Eu me sentia como se alguém tivesse roubado a minha vida! Cheguei a pensar em dar a minha filha para minha mãe achando que ela cuidaria melhor do que eu. Mas, ao mesmo tempo eu amava tanto aquele bebezinho que não conseguia nem ir ao banheiro e deixa-la dormindo. Ficava 24 horas se pudesse, pertinho, olhando, cuidando. Parece loucura né?! Contraditório?! E é!

Não aguentei esconder minha situação por muito tempo. Contei para meu esposo o que estava sentindo, desabei. Eu já não conseguia mais comer, só chorava, o dia inteiro. E por conta disso fiquei muita fraca. Tivemos que ir pra casa da minha mãe às pressas pra ela ficar com a Laura e eu ir para o hospital. Fiquei no soro por duas horas e voltei me sentindo, psicologicamente pior ainda. Agora não dava pra fingir ser forte. E na verdade eu nem queria mais isso! Precisava de ajuda.

Depressao pos parto

Passei quinze dias na casa da minha mãe para me recuperar. E posso dizer que foi a melhor coisa que fiz! Aos poucos fui melhorando, perdendo o medo, entendendo minha nova vida, me adaptando a minha filha… Nem preciso dizer que Laura hoje é minha grande alegria! Cada gracinha nova que aprende cada sorriso… Tudo me encanta, me deixa orgulhosa e super babona!

Por isso, digo que sei o que muitas mulheres passam após um parto. Não é frescura! É uma doença psicológica que afeta, inclusive a saúde corporal! Graças a Deus a minha depressão foi leve, não precisei de medicamentos, mas há pessoas que precisam de ajuda médica e familiar. Acredito que grande parte das doenças que acometem nosso corpo começa na mente. Ë preciso cuidar da mente com cuidado. E nesse caso carinho, amor e apoio ajudam muito, mas o primeiro passo deve vir da mulher que está sofrendo com a depressão. Você precisa lutar contra todos os pensamentos ruins que rondam sua mente. Precisa buscar forças, aprender a controlar sua mente e pensamentos. Isso se chama domínio próprio! E, como o nome diz, só nós mesmas podemos controlar.

Sou cristã e busquei muita ajuda em Deus através da oração. Tive o apoio da minha família, do meu esposo, de amigas queridas e isso fez toda a diferença. Algumas amigas vieram na minha casa e dividiram suas experiências de depressão pós parto comigo. Vi que não estava sozinha! Que não era só eu! Busquei informação em blogs e sites. Achei um depoimento lindo no blog Mamãe da Isabella, da Cláudia Leite. E elas me encorajaram: “Eu passei! Tudo ficou bem depois de um tempo. Você também vai passar!”.

Não sei se alguém que vai ler esse post está passando por isso (talvez vai passar), mas minha intenção é que meu depoimento possa ajudar e encorajar outras mulheres. Minha intenção é dizer a vocês: “Vai passar! Eu passei! Você consegue!”. E depois vai amar ver seu bebê nos seu braços, vai curtir cada coisinha que ele fizer e vai começar a entender que filhos são as melhores coisas da vida!

Um beijo no seu coração!

Por: Roberta Kaiber


 

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